FEMINISMO NÃO É PALAVRÃO, BASTA!
É desesperador o tamanho do desconhecimento que impera em nossa sociedade sobre o termo. Temos inúmeros pós-doutores no assunto, e pasmem, inúmeras pós-doutoras; elas e eles, estão sentados nos bancos da praça, no boteco da esquina, na fila do supermercado, nos bancos das universidades, doutorandos, na fila do cinema, assinando blogs de grande alcance, em meio a grupos de apoio à mulher... Sim o desconhecimento existe e ele mata.
Não raro, escutamos pessoas “tentando” combater o feminismo, pessoas que diariamente estão na luta contra o combate à violência contra a mulher, o que é mais grave ainda, dizendo: “não sei se sou feminista, estou na luta, mas não sei se sou feminista”. Nesse caso eu não sei o que é maior, a ignorância ou a influência da cultura machista.
Ser feminista além de não ser crime, também não é pecado! Muitas vezes, já ouvi sendo pregado por alguns seguidores de religiões as mais variadas que ser feminista é ser pecadora. Distanciando a feminista da mulher virtuosa, feminina, pura de coração e temente a Deus. Basta! Jesus Cristo não era machista, preconceituoso, não incitava a violência. Prefiro acreditar que referidas pregações não sejam por convicção, mas apenas por desconhecimento. Daí a necessidade de contarmos ao mundo, especialmente para aqueles que se mantem na zona de desconhecimento, aqueles que tem o dom da palavra, que tem os ouvidos ou olhos alheios atentos às suas falas e escritas, que ser feminista é lutar pela equidade, é lutar pela vida, pela não violência, pela igualdade dentro das desigualdades do gênero.
“Feminismo é um conjunto de movimentos que valorizam a igualdade social, política, econômica, cultural, filosófica e todos os ramos que você conseguir imaginar, entre mulheres e homens.” [1]
Ser feminista não é pecado, ser feminista não é crime, ser feminista não é deixar de ser feminina, ser feminista não é ser superior a nenhum outro ser, seja ele homem ou mulher, ser feminista é ser um ser humano do bem, justo e muito honrado.
Muitas pessoas confundem ou desconhecem os termos feminismo, femismo, misandria e machismo.
Ser femista sim, estaríamos nos igualando aos machistas que tanto combatemos, ou seja, estaríamos lutando por uma ideologia que prega superioridade do gênero feminino sobre o masculino, alguns o consideram o equivalente do machismo, nesse sentido teríamos a misandria, termo que alguns consideram como sinônimo de femismo e outros dizem ser a prática do ódio, desprezo ou preconceito contra o sexo masculino. Enfim, muitos outros termos existem, mas, de modo algum, podemos confundi-las com a palavra feminista, tão cheia de bons propósitos que para chegar onde chegou, custou a vida de muitas outras que nos antecederam. Em sinônimo de respeito a essas vidas perdidas, nosso respeito.
Quando nos permitimos permanecer na nossa zona de comodidade, na nossa ignorância literal, permitimos que a violência aumente. Lutar pelo feminismo, ser feminista, significa lutar pela vida.
O desconhecimento enfraquece, o desconhecimento mata, você está pronto para carregar a culpa? Culpa que se torna sua também quando da sua omissão, do seu desconhecimento, da sua propagação da frase: por que ela não larga ele? Simples assim!
Não, não é tão simples assim, da mesma forma que não vem sendo tão simples desconstruir a sua informação errada, seu conhecimento equivocado, seu preconceito e sua parcela de culpa.
Temos o país com a terceira melhor lei do mundo, assim considerada pela ONU (organização das nações unidas), Lei Maria da Penha, em homenagem à luta de Maria da Penha Maia Fernandes, sancionada em 7 de agosto de 2006. Com mecanismos para prevenir e coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher em conformidade com a Constituição Federal (art. 226, § 8°) e os tratados internacionais ratificados pelo Estado brasileiro (Convenção de Belém do Pará, Pacto de San José da Costa Rica, Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher), mas também somos o quinto país no ranking global de assassinatos de mulheres, por elas serem mulheres; e isso precisa mudar.
Um salve para você que acredita, que luta, que entende, que se informa, que aprende, que acorda todas as manhãs, se olha no espelho e diz em voz alta: EU SOU FEMINISTA, EU SOU UM CIDADÂO, UMA CIDADÃ DE BEM.
Se esse for o seu conceito, paciência, mas acredite, pior é ser ignorante e permanecer nela.
Nesses tempos de COVID-19, onde o lugar mais perigoso do mundo para muitas mulheres, tornou-se inevitável, ou seja, seu próprio Lar, precisamos ser todos Feministas.
Já eu, enquanto houver dor, estarei na luta.
Ana Paula Trento
Bibliografia
[1] https://pt.wikipedia.org/wiki/Feminismo
https://www.unifesp.br/boletins-anteriores/item/2589-brasil-e-o-5-pais-que-mais-mata-mulheres
https://www.institutomariadapenha.org.br/
https://www.conjur.com.br/2020-ago-06/ana-paula-trento-feminismo-nao-palavrao-basta

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